(Des)complica

Descomplica.
Admite:
O que há entre nós ainda algo significa.
Mesmo que a gente nem tente,
Há algo que nos intensifica.
Porque nunca ficas?
Porque há sempre uma razão para não?
Descomplica. Fica.
Deixa-me decifrar os segredos do teu coração;
Deixa-me entender-te apesar de tudo:
Desde o superficial ao mais profundo.
Mas quanto mais tento descobrir-te, mais me afundo.
Porque é tão complicado entrar nesse teu mundo?
Contigo, esta vida vale a pena cada segundo…
Então, descomplica de uma vez.
Deixa-me ajudar-te a sentir o que ainda não vês;
Deixa-me dizer-te com toda a sensatez,
Aquilo que guardo desde que te conheci naquele mês.
Descomplica. Deixa-me ajudar-te;
Deixa-me conhecer todas as tuas partes.
Talvez eu nunca me farte
E certamente isso será um problema…
Porque além de não saíres da minha cabeça, estás em todos os meus poemas.
Podes nos complicar…
Eu ainda estarei aqui a observar-te,
Porque além de poder fazer arte,
Eu posso silenciosamente amar-te…
Mas, descomplica.
E fica…
Porque eu nunca te quis de menos nesta vida, apesar de cada critica.

Amor teimoso

 

Amor teimoso,
Que bate no peito e é maldoso.
Cuidado! É perigoso,
Por vezes até pode ser maravilhoso.
Amor duvidoso,
Que bate no peito e é um sentimento fabuloso.
É perigoso, mas ao mesmo tempo poderoso.
É doloroso, porém maravilhoso.
É rigoroso, por vezes tempestuoso.
Pode tornar qualquer um nervoso,
Por ser complicado e tão misterioso,
Mas é o que nos salvará nesse mundo defeituoso.
No final o que conta é esse amor teimoso,
Que teimou em nos querer e a nos tirar desse mundo pouco amoroso.

menos COERENTE

Toca-me suavemente,
L e n t a m e n t e.
Seduz-me de forma diferente,
Ardente.
E sente.
Como eu sou tua,
S e m p r e;
Independentemente,
De quem venha e tente.
És diferente.
O meu coração não mente
E quer-te em todas as tuas vertentes.
Mas não sei se sentes…
Se há algo em ti que me aceite,
Mesmo que eu seja indecente.
Eu sempre te achei atraente
Em todos os teus estados menos coerentes.
E tu dizes que estás consciente,
Mas que nunca saberás se me queres para sempre…

Amores que não morrem.

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Não… Não vale a pena
Porque eu nunca me esqueci;
Eu sei, é meu problema,
Mas à saudade ainda não venci.

Está fora de questão!
Eu já me esforçei tanto e não esqueci.
É fácil fingir que não afeta no coração,
Mas não tenho mais forças para ir contra ti.

Não tenho forças para lutar contra a maré,
Nem para continuar a dizer que te esqueci;
A vida não vem com notas de rodapé,
Nem ensina a esquecer coisas que não vivi…

É verdade, tudo sempre me levou para ti
E não adianta, eu nunca vou saber explicar;
Por muito que me convença, eu senti desde que te vi
Uma aura sobre nós que não há como escapar.

Eu perdi-me nesses teus olhos castanhos,
Nesse sorriso perdido que sempre dás;
Conhecemo-nos mesmo que estranhos,
E esse mistério sempre me faz ir atrás,
Procurando na tua confusão a minha paz.

Talvez eu nunca tenha sido a pessoa
Com quem sonhaste em ter;
Eu vejo-te com alguém e isso sempre magoa,
Mas não me peças para apenas deixar acontecer.

Eu nunca quis apenas uma aventura,
Contigo eu estaria disposta a tudo;
Viraria do avesso o mundo,
Para te dar tudo aquilo que procuras…

Desconfio que nem assim
Algum dia eu te possa ter…
Porque não adianta, está em mim,
E talvez eu só tenha que me convencer.

Que há amores que não morrem,
E que duram por uma vida inteira;
Amores não se escolhem,
E às vezes um simples acaso, acaba numa bonita asneira.

E se me quiserem encontrar
Estarei algures no inferno;
Estarei lá a queimar,
A dedicar-lhe os versos do meu caderno.

Pudesse eu…

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Se pudesse pegava agora numa mochila
E ia ter contigo a qualquer lugar;
Mas eu sei que nessa “invisível fila”,
Eu nunca fui a primeira a chegar.

Pudesse eu ir onde estás,
Dizer-te o que sempre guardei;
Finalmente encontrar a minha paz,
Aquela que só tenho desde que te achei.

Quem me dera conseguir organizar
Os meus sentimentos facilmente;
Fosse tudo fácil, mas esse assunto de amar,
É complicado quando realmente se sente.

Pudesse eu ter a capacidade
De lidar bem com a saudade;
Pudesse eu ter a habilidade
De não fazer os sentimentos prioridade…

Mas eu sempre sinto tudo,
Quando a outra pessoa não sente metade;
As pessoas são vazias, sem conteúdo,
E eu sempre espero que tenham algum fundo de verdade.

Pudesse eu ser mais racional,
Mas eu não me apaixono pelo banal;
Eu prefiro estar aliada ao mal;
Àquilo que me atinge de uma forma brutal,
Porque se aí eu sinto tudo, então é real.

Pudesse eu não sentir mais nada por ti,
Mas tu sempre vens com a tua mania infernal;
Que me deixa num estado anormal e me faz
Perder qualquer noção espacial ou temporal.

Ai pudesse eu pegar nessa mochila
E finalmente viver o que quero;
A batida do meu coração vacila
Cada vez que penso na possibilidade,
E eu sempre espero…

Eu continuo à espera
Que me queiras ou notes o esforço que faço;
Mas não é por mim que o teu coração acelera,
Não é comigo com quem queres fechar o laço…

Diz-me como é que se supera
Essa história de amor que veio para ficar?
Sou sincera e admito, nunca se recupera
De um eterno inferno que marcou e continua a queimar.

Pudesse eu nos apagar…

Antibiótico

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Para dar um passo em frente
É preciso olhar para trás;
Ausente, mas nas confusões da minha mente,
À procura de alguma paz.

Não sei o que sobrou,
Se o que tivemos mostrou-me que não sou
Capaz de viver num mundo que sempre me levou
Para ti, para quem me quebrou…

Diz-me a que sabe a saudade,
Porque eu já não consigo sentir nada;
Eu não consigo conviver mais com metades,
Essas confusões tuas que me atingem como facadas.

Grita comigo,
Faz o que bem te apetecer;
Nenhum poeta cita, mas eu digo:
Que o amor só chega perto da cura, se nos fizer sofrer.

Outrora queria a cura,
Agora apego-me às tuas juras;
Tornei-me uma impura,
Tornei-me numa intensa mistura,
Que não sei se alguém compreende ou atura;
Vem a tua voz dizer-me coisas ao ouvido,
Que me fazem perder a minha séria postura;
Eu devia ter te esquecido…
Eu não devia ter alimentado ainda mais esta loucura…
Mas tu sempre voltas e dás-me abertura,
Para dizer e fazer coisas que apenas procuras,
E dá-te jeito que eu seja essa figura.

Tu fodes com o meu psicológico,
Também acabas com a minha defesa;
Que droga, que vicio que atenua como antibiótico
Mas que nunca me cura, só me mantém mais presa.

Quem me dera pensar com clareza,
Mas quando se trata de ti eu estou rendida às minhas fraquezas;
Eu estou indefesa,
Tentando chegar até ti com sutileza.

Eu fiz-nos arte
Por não poder amar-te;
Nisto tudo, qual foi a tua parte?
Deixar-nos porque eu não conseguia deixar-te?

Não sei ao certo

naoseiaocerto

Está frio .
Não sei ao certo
Se é porque realmente faz frio,
Ou se é porque não estás perto
Que eu chego a sentir um enorme vazio

Está calor .
Não sei ao certo
Se é porque realmente faz calor
Ou se é porque quero-te por perto
Que chego a pensar que isto é mesmo amor…

Está a chover .
Não sei ao certo
Se é porque realmente está a chover
Ou se é porque eu penso em ter-te perto
Que penso que já te consegui esquecer

Está nevoado .
Não sei ao certo
Se é porque realmente está nevoado
Ou se é porque no fundo estás perto
Que eu ainda vejo vagamente o nosso passado

A minha mente está uma loucura .
Não sei distinguir o errado do certo,
Porque eu realmente queria voltar à nossa aventura
Sem “ou’s” , apenas tu por perto
Porque sou uma doente por ti e tu és a cura .