Num final de tarde

A ver o sol a cair num final de tarde,
Enquanto aprecio de um bom vinho; 
Em silêncio, vem memórias e saudades,
De algo que construí mas que fiquei a meio do caminho.

Olho a simples paisagem do sol a cair,
E eu caio também em sentimentos que não esqueci;
O que será que estás a sentir?
Será que ainda te lembras de mim?

Quem me dera sentir essa calma,
Que agora vejo à minha volta; 
Mas nunca houve paz na minha alma,
Que às vezes até me parece morta…

Olho o entardecer 
E pergunto-me: Onde nos perdemos?
Assim como tu, gostaria de saber esquecer,
Aquilo que um dia vivemos.

Há cá fora um silêncio bom,
Mas dentro de mim um silêncio que me atormenta;
Lembro-me da tua voz; Desse som,
Que de acordo com as batidas do meu coração, aumenta.

Não sei mais como se aguenta,
Ou se convive com a saudade de alguém que nos falta…
As saudades atingem-me de forma violenta, 
E há emoções que me fazem ter expetativas altas.

Estou aqui fora,
Sentada a olhar, e sem barulho exterior; 
Porque esquecer-te demora? 
E porque a tua ida não foi de todo algo libertador?

Por momentos volto atrás,
E cai sobre mim uma paz…
Aquela que não sei encontrar se não estás;
Aquela que tu me disseste que um dia encontrarás…

Mas que não é aqui,
Não é alguém ou em algum lugar; 
Porque tu foges de tudo que gosta de ti,
E não sabes lidar com tudo isso que a vida parece te dar. 

E hoje, aqui, sozinha,
Com o meu copo de vinho;
Encontro uma paz minha,
Que o vento sopra ao meu ouvido baixinho:
“O amor não se escolhe, nem se adivinha;
Ele toma o seu lugar aos bocadinhos, 
Em silêncio, até nós, ele caminha,
Senta-se e fica a tomar o seu cafézinho.
E quando acaba e vai, sempre deixa o seu gostinho”.

A Poesia Para Ti – Literatura para a tua Quarentena.

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Poesia, e como tal, decidimos finalmente divulgar este projeto em definitivo para vocês! Sim, tu que estás desse lado, muito provavelmente em quarentena há uns dias, já aborrecido e sem ideias para algo te animar. Bom, nós chegamos para isso mesmo: para através daquilo que fazemos (escrever), proporcionar entretenimento de uma forma um pouco diferente.
Assim como os artistas (cantores) se reuniram para dar concertos desde suas casas, nós também achamos engraçado fazer algo semelhante, mas com aquilo que escrevemos e também de certa forma, resgatando escritores (e suas respetivas criações) da NOSSA língua, o português 🇵🇹

Este nosso projeto é entitulado de: A Poesia Para Ti – Da nossa casa para a tua – Literatura para a Quarentena. Podes nos acompanhar aqui, mas não só… Estaremos também no YOUTUBE, onde haverá videos de declamações das nossas composições escritas, em uma especie de podcast, mas de uma forma um bocadinho modificada. Estaremos também no FACEBOOK, para quem também nos quiser seguir por lá e ficar a par de mais informações que iremos publicar e também Instagram. Os respetivos links para cada uma das redes sociais encontram-se na imagem acima.

Por enquanto, estamos a trabalhar para vos trazer novidades inovadoras e sobretudo, para vos poder entreter de alguma forma nestes tempos que têm sido complicados para todos.

Esperemos do fundo do coração, que gostem do que estamos a tentar desenvolver com este projeto, que nos acompanhem e apoiem nesta nossa “loucura saudável”, mas sobretudo, que gostem verdadeiramente. O nosso objetivo aqui, é trazer-vos da maneira mais sincera e verdadeira possível a nossa arte e passar mensagens importantes que muitos, infelizmente ignoram ou simplesmente não sabem. 
Agradecemos desde já a todos, que de certa forma, já aderiram ao projeto e temos a certeza que não se vão arrepender! 
Vemo-nos (muito) brevemente… Até já! 

A equipa do Projeto.

Feita pedra

Sou toda feita amor
(Apesar de não parecer);
Escrita em versos sem valor;
Esquecida em quem não sei esquecer.

Sou toda feita de defeitos
(Pelo menos, foi o que sempre achei);
A guardar muito bem o amor no meu peito,
Porque sempre achei que não era certo dizer quem amei…

Eu nunca te deixei…

Apesar de eu ser toda uma confusão,
Com cara de má e sem coração;
Eu senti-te a abalar toda a minha razão,
Enquanto me dizias que não.

Sou toda um poema,
Talvez mal escrito…
Sendo que o meu grande problema,
É continuar a carregar sentimentos não ditos.

Sou toda feita pedra
(Aparentemente);
E quem me dera
Que a nossa história tivesse tido um final diferente…

Mas por eu ser como sou:
Confusa, perdida e sem sentido;
Um sentimento de tristeza aumentou
Por saber que te tinha perdido…

Mas ainda sou toda de ti,
Atormentam-me sonhos sobre quando te perdi…
Toda feita pedra, mas eu senti (e muito)…

Sou apenas um simples rabisco
Inacabado no meio de todos os teus esboços;
Mas certamente valeu a pena o risco
E sempre estará guardado nos momentos só nossos.

Fui a poetisa, a escritora,
Que tentou nos dar vida em verso;
Sempre achei uma ideia tentadora
Fazer parte desse teu misterioso universo.

Eu sempre soube
E tu também sempre soubeste;
Que houve um sentimento que aqui não coube
E que simplesmente foi-se por onde vieste.

Mas eu não podia saber
E tu também não;
Que esse sentimento ia nos fazer sofrer,
Talvez agora seja hora de abrir mão…

Olha ali a lua;
Olha ali aquela estrela;
Lembra-te, porque eu não vou esquecê-la,
E nem vou deixar de ser tua…

A poetisa abaixo assina:
Declaro declarado o fim;
Sou feita pedra mas ainda uma menina
Que sempre se lembrará de ti.

Colocando os pontos.

Já te soltei mas não te largo;
Não te esqueço nem nos apago.

Tudo a ti sabe a pouco
E eu perco-me no que penso;
Sentimentos que me atingem como um soco,
E me fazem perceber o quão é intenso:
Querer alguém que não se pode,
Amar alguém que não é capaz de perceber;
Enquanto em mim há algo que explode
E ao mesmo tempo me destrói e faz entender:
Que quando realmente alguém nos ama,
Escolhe-nos independentemente de tudo;
Reclama, mas também exclama:
“Eu estarei aqui até ao fim do mundo”.

Nunca foi compatível
E eu tenho pena;
Que não tenhas percebido o quão foi horrível,
Ver e sentir que isto não é possível.

Agora largo-te, mas não te solto;
Sempre a discutir, sempre em confronto…
Mas nem te conto…

Eu já imaginei um futuro
Apenas olhando naqueles olhos escuros;
Eu já fiz outros tantos planos,
Mas todos eles desfizeram-se com o passar dos anos…

Agora digo que não é quem eu procuro,
E sei que até tenho razão…
Porque isto sempre foi incerto,
E eu acho que merecia ter sido a tua primeira opção.

Toda confusa e com tantos defeitos,
Agora digo sem nenhum respeito:
Que não podemos ter nada direito,
Porque não foi feito para ser algo perfeito.

Talvez mal saiba que eu sempre quis,
Mesmo que isso implicasse algo complicado;
Porque de certa forma fez-me feliz,
Mesmo que tudo entre nós seja errado.

Disse-me tantas coisas e eu fingi ouvir,
Porque era diferente de tudo o que já vi;
Tem algo que me prende desde que conheci,
E após tantos anos eu não sei o que estou a sentir…

E sinto. Sinto mais do que deveria,
Enquanto escapo para o mundo da poesia;
Porque sempre senti e só de pensar arrepia:
Que te perdi de uma forma fria…

E agora só me resta escrever
Enquanto vou colocando os pontos;
Vivendo no constante confronto:
Entre amar ou definitivamente esquecer.

A contar

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Eu sei que se me pôr a contar
As vezes que falhamos sem querer;
Eu ficaria aqui a madrugar,
Pensando em todas as formas de nos esquecer.

Se eu me pôr aqui a contar
As vezes que fizemos planos e nada se cumpriu;
Eu nunca mais ia poder me deitar,
Porque passaria todas as noites a pensar no que nos fugiu…

Mas eu tenho uma vaga noção
Que se começasse a contar as vezes que te quero;
Eu nem começaria a contagem porque seria em vão,
E não me chegaria todos os zeros.

Não conto mais nada porque somos um infinito;
E tudo o que passamos, foi de certa forma bonito…
Foi também um constante conflito,
Com sentimentos que não podem ser ditos.
E se eu começasse aqui a contar o que sonhamos,
Ninguém acreditaria no que já planeámos.

Se eu começasse a contar a nossa história,
Eu sei que muitos iam nos julgar;
Por isso, levo-te para sempre na memória,
Porque lá é um sítio bonito para te guardar.

Agora quero que fique lá guardado,
Porque sei que se um dia abrir essa porta;
Vai ser para avivar o nosso passado,
Aquele que eu queria que não importasse mais, mas ainda importa…

Por isso evito,
Porque eu já admiti mas já não admito;
Há algo em nós em que acredito,
Mas ao mesmo tempo também hesito…

Grito, mas não me escutas;
Admito, mas não vale mais a pena a luta.
E se eu ficasse aqui a contar a minha verdade absoluta,
Certamente seria preciso infinitos e mais um tanto,
Porque eu sempre te quis mas nunca soube dizer o quanto.

(Des)complica

Descomplica.
Admite:
O que há entre nós ainda algo significa.
Mesmo que a gente nem tente,
Há algo que nos intensifica.
Porque nunca ficas?
Porque há sempre uma razão para não?
Descomplica. Fica.
Deixa-me decifrar os segredos do teu coração;
Deixa-me entender-te apesar de tudo:
Desde o superficial ao mais profundo.
Mas quanto mais tento descobrir-te, mais me afundo.
Porque é tão complicado entrar nesse teu mundo?
Contigo, esta vida vale a pena cada segundo…
Então, descomplica de uma vez.
Deixa-me ajudar-te a sentir o que ainda não vês;
Deixa-me dizer-te com toda a sensatez,
Aquilo que guardo desde que te conheci naquele mês.
Descomplica. Deixa-me ajudar-te;
Deixa-me conhecer todas as tuas partes.
Talvez eu nunca me farte
E certamente isso será um problema…
Porque além de não saíres da minha cabeça, estás em todos os meus poemas.
Podes nos complicar…
Eu ainda estarei aqui a observar-te,
Porque além de poder fazer arte,
Eu posso silenciosamente amar-te…
Mas, descomplica.
E fica…
Porque eu nunca te quis de menos nesta vida, apesar de cada critica.

Amor teimoso

 

Amor teimoso,
Que bate no peito e é maldoso.
Cuidado! É perigoso,
Por vezes até pode ser maravilhoso.
Amor duvidoso,
Que bate no peito e é um sentimento fabuloso.
É perigoso, mas ao mesmo tempo poderoso.
É doloroso, porém maravilhoso.
É rigoroso, por vezes tempestuoso.
Pode tornar qualquer um nervoso,
Por ser complicado e tão misterioso,
Mas é o que nos salvará nesse mundo defeituoso.
No final o que conta é esse amor teimoso,
Que teimou em nos querer e a nos tirar desse mundo pouco amoroso.

menos COERENTE

Toca-me suavemente,
L e n t a m e n t e.
Seduz-me de forma diferente,
Ardente.
E sente.
Como eu sou tua,
S e m p r e;
Independentemente,
De quem venha e tente.
És diferente.
O meu coração não mente
E quer-te em todas as tuas vertentes.
Mas não sei se sentes…
Se há algo em ti que me aceite,
Mesmo que eu seja indecente.
Eu sempre te achei atraente
Em todos os teus estados menos coerentes.
E tu dizes que estás consciente,
Mas que nunca saberás se me queres para sempre…

Amores que não morrem.

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Não… Não vale a pena
Porque eu nunca me esqueci;
Eu sei, é meu problema,
Mas à saudade ainda não venci.

Está fora de questão!
Eu já me esforçei tanto e não esqueci.
É fácil fingir que não afeta no coração,
Mas não tenho mais forças para ir contra ti.

Não tenho forças para lutar contra a maré,
Nem para continuar a dizer que te esqueci;
A vida não vem com notas de rodapé,
Nem ensina a esquecer coisas que não vivi…

É verdade, tudo sempre me levou para ti
E não adianta, eu nunca vou saber explicar;
Por muito que me convença, eu senti desde que te vi
Uma aura sobre nós que não há como escapar.

Eu perdi-me nesses teus olhos castanhos,
Nesse sorriso perdido que sempre dás;
Conhecemo-nos mesmo que estranhos,
E esse mistério sempre me faz ir atrás,
Procurando na tua confusão a minha paz.

Talvez eu nunca tenha sido a pessoa
Com quem sonhaste em ter;
Eu vejo-te com alguém e isso sempre magoa,
Mas não me peças para apenas deixar acontecer.

Eu nunca quis apenas uma aventura,
Contigo eu estaria disposta a tudo;
Viraria do avesso o mundo,
Para te dar tudo aquilo que procuras…

Desconfio que nem assim
Algum dia eu te possa ter…
Porque não adianta, está em mim,
E talvez eu só tenha que me convencer.

Que há amores que não morrem,
E que duram por uma vida inteira;
Amores não se escolhem,
E às vezes um simples acaso, acaba numa bonita asneira.

E se me quiserem encontrar
Estarei algures no inferno;
Estarei lá a queimar,
A dedicar-lhe os versos do meu caderno.

Pudesse eu…

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Se pudesse pegava agora numa mochila
E ia ter contigo a qualquer lugar;
Mas eu sei que nessa “invisível fila”,
Eu nunca fui a primeira a chegar.

Pudesse eu ir onde estás,
Dizer-te o que sempre guardei;
Finalmente encontrar a minha paz,
Aquela que só tenho desde que te achei.

Quem me dera conseguir organizar
Os meus sentimentos facilmente;
Fosse tudo fácil, mas esse assunto de amar,
É complicado quando realmente se sente.

Pudesse eu ter a capacidade
De lidar bem com a saudade;
Pudesse eu ter a habilidade
De não fazer os sentimentos prioridade…

Mas eu sempre sinto tudo,
Quando a outra pessoa não sente metade;
As pessoas são vazias, sem conteúdo,
E eu sempre espero que tenham algum fundo de verdade.

Pudesse eu ser mais racional,
Mas eu não me apaixono pelo banal;
Eu prefiro estar aliada ao mal;
Àquilo que me atinge de uma forma brutal,
Porque se aí eu sinto tudo, então é real.

Pudesse eu não sentir mais nada por ti,
Mas tu sempre vens com a tua mania infernal;
Que me deixa num estado anormal e me faz
Perder qualquer noção espacial ou temporal.

Ai pudesse eu pegar nessa mochila
E finalmente viver o que quero;
A batida do meu coração vacila
Cada vez que penso na possibilidade,
E eu sempre espero…

Eu continuo à espera
Que me queiras ou notes o esforço que faço;
Mas não é por mim que o teu coração acelera,
Não é comigo com quem queres fechar o laço…

Diz-me como é que se supera
Essa história de amor que veio para ficar?
Sou sincera e admito, nunca se recupera
De um eterno inferno que marcou e continua a queimar.

Pudesse eu nos apagar…